domingo, 21 de dezembro de 2014

O REI SOL TAMBÉM É SÚDITO

Bom dia, rei sol.
Atento leitor da realidade,
Buscando exemplos e lições,
Hoje acordei pensando em ti.

Soberano e onipresente,
Iluminando cada canto do planeta,
Em ti repousa a existência:
Os fenômenos climáticos,
O equilíbrio ecológico, a geologia,
A possibilidade de vida.

Somos submissos e dependentes
Da tua existência obrigatória
E necessária, sem a qual, nada.

Gigante, por liames invisíveis
Prendes muitos planetas outros
E mantém sob jugo os cometas
E asteroides, a poeira cósmica,
Como ninhada tua, vigilante.

Se se zanga ou reequilibra,
Em explosões solares
Os sinais do teu humor
Percorrem trilhões de quilômetros,
Contaminando com ondas fatais,
Interferindo em cada partícula.

És poderosíssimo, amigo!

Mas afasto o olhar e me decepciono:
Estás só numa galáxia
Entre bilhões de galáxias,
Cada uma delas com bilhões de sóis,
A maioria, maiores e mais quentes,
Mais brilhantes e estáveis,
Já que és apenas de quinta grandeza,
Coisa pouca diante do infinito.

Procuro-te e descubro que giras
Nos subúrbios da Via Láctea,
Na periferia da galáxia,
Quase anônimo e desimportante
Na dança cósmica, só coadjuvante.

Examino-te a evolução e...
Um de dois fins, inexoráveis:
Apagar-se, sem combustível,
Como uma vela que a si se consumiu
Ou ser tragado por um buraco negro
De bocarra aberta te esperando.

És limitado, amigo.
Como eu, nasceste para morrer,
Com existência limitada, só um elo
Contraditório e efêmero
Na relatividade de tudo.

(A cada dia que anoiteço,
Recolho-me ao anonimato,
É um dia a menos de vida,
Como na tua também).

Sempre que apareces e te anuncias,
Em cada uma das minhas manhãs,
Reverencio-te pelo serviço prestado,
Jamais em apologia ao teu poder,
Porque limitado e circunstancial,
Como o meu, que só se exerce
E manifesta sobre o que é menor,
Na suprema ilusão de uma importância
Que reside na ignorância,
De não sabermos da nossa insignificância,
Só um detalhe na relatividade de tudo.

Francisco Costa

Rio, 12/12/2014.

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