sexta-feira, 20 de junho de 2014

Delinquente juvenil,
Ela se finge fêmea,
Ostentando atributos
Impróprios a crianças,
Afeitos aos adultos.

Olhar de estrela distraída,
Perdida nos confins dos sonhos,
Impossibilita desejos e vontades
Por causa da precoce idade.

No entanto é toda sexo,
Ósculos e amplexos
Anunciados na intenção
Que tenta e seduz,
Espanta escuro, faz-se luz.

Volta aos brinquedos, menina,
Porque o que te encanta e anima,
Para nós, adultos, ficou pra trás,
Virou saudade, não volta mais.

Francisco Costa
Rio, 26/05/2014.

Sempre que a noite se veste de estrelas
e se sonoriza em beijos e cochichos,
duendes e fadas entram em prontidão,
prontos para semear sonhos e atitudes
que acordarão sorrisos no dia seguinte.

O que não pode ser conhecido é assim,
baila escondido, mastigando as trevas
para criar o hábito da luz.

A noite, borboletas invisíveis e elfos,
aos magotes, brincam do espaço
e pousam sobre testas adormecidas,
que se acreditam sonhando.

Entre a realidade e o imaginado
mora a matéria da poesia.

Ao poeta cabe dar-nos a conhecê-la,
fecundando-a de noite,
para que nasça de dia.

Francisco Costa
Rio, 20/06/2014.